Texto escrito por: Diretora Magda Fernandes dos Santos

Um dia, um aluno, nem sei bem se foi aluno ou aluna, mas vamos ao fato, me perguntou como eu fazia as avaliações e como eu avaliava um aluno – respondi: Já estou te avaliando, ele/ela  olhou para mim fez uma cara de assustado e preocupado,  perguntou: – Como?

Respondi: Avalio os alunos como um “todo”, seu modo de agir em sala, sua participação, sua colaboração, sua socialização etc….

Tudo isso ocorreu no início da minha carreira, nos primórdios anos de licenciatura, olha que ainda nem existia a CEE 155 e estavam estudando e implantando a LBD 9394/96 e tantas outras obras e editais referentes à avaliação. Claro que temos bons autores que falam sobre esse tema, tais como, Cipriano Carlos Luckesi, Vilson Ferreira da Silva, José Pacheco,  Maria de Fátima Pacheco…

É claro que cada autor defende sua ideologia e sua metodologia, bem como os professores também defendem sua maneira de avaliar.

Lembrando que cada profissional seja ele professor, instrutor ou mestre acabam criando uma metodologia de avaliação adequada a sua turma, observando a realidade e potencialidade de cada “estudante” que passa pelo processo de avaliação.

Portanto, a avaliação não deve ser somente o momento da realização das provas, testes ou algo similar, mas um processo contínuo e que ocorre dia após dia, visando a correção de erros e encaminhando para aquisição dos objetivos previstos. Nesse sentido, a forma avaliativa funciona como um elemento de integração e motivação para o processo de ensino-aprendizagem. A avaliação é um processo atualmente entendido não só como o resultado dos testes e provas, mas também os resultados dos trabalhos e/ou pesquisas que os alunos realizam.

Hoje, após anos e mais anos avaliando, corrigindo provas, refazendo atividades, elaborando fichas de verificação de aprendizagem, aplicando material de recuperação e outros tipos quaisquer, posso dizer que aprendi a avaliar.

Como por exemplo: Um dia uma aluna ficou com nota dois, sua mãe ficou brava, veio questionar-me e eu disse para mãe que iria trabalhar paralelamente com a aluna. No segundo bimestre ela ficou com quatro, a mãe ainda continuou chateada e mais uma vez veio conversar comigo. Disse à mãe que a aluna havia melhorado cem por cento, afinal, sua nota havia subido de 2,0 para 4,0, disse ainda que se a mesma continuasse apresentando tamanho rendimento escolar, eu ficaria devendo nota para ela.

Hoje, temos várias fontes e legislações que norteia e direciona o modo de avaliar, cabe a cada profissional estar atualizado e informado a respeito desses materiais, para que, quando necessário tenha argumentos e justificativas lógicas e pautadas em redações concretas sobre o tema. A CEE 155 traz no Art. 17, a seguinte redação: A avaliação dos alunos a de ser realizada pelos professores e pela escola como parte integrante da proposta curricular e da implementação do currículo, é redimensionadora da ação pedagógica e deve:

I – assumir um caráter processual, formativo e participativo, ser contínua, cumulativa e diagnóstica, com vistas a:

  1. a) identificar potencialidades e dificuldades de aprendizagem e detectar problemas de ensino;
  2. b) subsidiar decisões sobre a utilização de estratégias e abordagens de acordo com as necessidades dos alunos, criar condições de intervir de modo imediato e a mais longo prazo para sanar dificuldades e redirecionar o trabalho docente;

II – utilizar vários instrumentos e procedimentos, tais como a observação, o registro descritivo e reflexivo, os trabalhos individuais e coletivos, os portfólios, exercícios, provas, questionários, dentre outros, tendo em conta a sua adequação à faixa etária e às características de desenvolvimento do educando;

III – fazer prevalecer os aspectos qualitativos da aprendizagem do aluno sobre os quantitativos, bem como os resultados ao longo do período sobre os de provas finais, quando essas ocorrerem, tal como determina a alínea “a” do inciso V do art. 24 da Lei 9.394/96.

O artigo engloba tudo que apliquei e aplico no que diz respeito à avaliação “aspectos qualitativos da aprendizagem tem que prevalecer sobre os quantitativos” isso sem questionamento é o mais importante. Isso sim é avaliar.

Avaliar um aluno vai muito além de preparar um prova, elaborar um questionamento ou um roteiro para pesquisa, e com o passar dos anos fui percebendo como melhorei meu modo de avaliar, e cada ano foi ficando melhor e não importante a quantidade e sim a qualidade como disse no parágrafo acima com referência a legislação em vigor.

Não posso deixar de citar o trecho de Luckesi, 1995, p. 28, que diz “O professor, que trabalha numa didática interativa, observa gradativamente a participação e produtividade do aluno, contudo é preciso deixar bem claro que a prova é somente uma formalidade do sistema escolar e não ser simplesmente usada como avaliação. Desse modo, entendemos que a avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual, mas sim dimensionada por um modelo teórico de mundo e de educação, traduzido em prática pedagógica.” Assim sendo a prova é um meio e não o fim como pensa muito profissionais da educação.

Segundo Vasconcelos (2005) deve-se distinguir avaliação de nota, a avaliação é um processo que precisa de uma reflexão crítica sobre a prática, podendo desta forma verificar os avanços e dificuldades e o que se fazer para superar esses obstáculos. A nota seja na forma de número ou conceitos é uma exigência do sistema educacional.

Sendo eu uma profissional da área de exatas, digo que os números são dados estatísticos e não avaliativos, esses dados são puramente e somente para fins burocráticos, tais como boletins, históricos escolares, níveis de comparações governamentais e ou federais, classificatórios e eliminatórios.

O mais importante é e sempre será o que se aprendeu e o que falta aprender, mas aí é outro documentário.

Então, vamos avaliar nossos alunos de modo significativo.

Bom trabalho.